Hoje é o Dia Mundial da Poesia e o Dia da Árvore. Nada como comemorar com dois poemas do inultrapassável Fernando Pessoa, convidando a reflectir sobre como entusiasmar os nossos filhos a ler mais e mais poesia (e a escrevê-la!), e a como preservar melhor a Natureza, debatendo com eles as várias funções das árvores e o seu vital papel nas nossas vidas.
O QUE ME DÓI NÃO É
O
que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
ÁRVORE VERDE
Árvore verde,
Meu pensamento
Em ti se perde.
Ver é dormir
Neste momento.
Que bom não ser
estando acordado!
Também em mim
Enverdecer
Em folhas dado!
Tremulamente
Sentir no corpo
Brisa na alma!
Não ser quem sente,
Mas tem a calma...
Eu tinha um sonho
Que me encantava.
Se a manhã vinha,
Como eu a odiava!
Volvia a noite,
E o sonho a mim.
Era o meu lar,
Minha alma afim.
Depois perdi-o.
Lembro? Quem dera!
Se eu nunca soube
O que ele era.
Meu pensamento
Em ti se perde.
Ver é dormir
Neste momento.
Que bom não ser
estando acordado!
Também em mim
Enverdecer
Em folhas dado!
Tremulamente
Sentir no corpo
Brisa na alma!
Não ser quem sente,
Mas tem a calma...
Eu tinha um sonho
Que me encantava.
Se a manhã vinha,
Como eu a odiava!
Volvia a noite,
E o sonho a mim.
Era o meu lar,
Minha alma afim.
Depois perdi-o.
Lembro? Quem dera!
Se eu nunca soube
O que ele era.














