A essa hora, no Hospital de São Luiz, morria o maior poeta português - Fernando Pessoa. Que tal, neste fim-de-semana, falarmos aos nossos filhos da sua obra, do Homem, dos heterónimos, de tudo o que representa e do fascínio que é descobrir este Poeta.
Aqui fica o último poema da Mensagem... uma leitura "obrigatória" para quem está, na EB1 ou EB2, a estudar os Descobrimentos. E, afinal, tão actual quase um século depois de ter sido escrita.
Este ano, aliás, completam-se 125 anos do nascimento do grande poeta.
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Valete, Frates.