Nada melhor do que este texto do Paulo Fontes, pai da Joana, lido na Festa do 4º ano, e que bem ilustra o que nós todos, pais, sentimos - há quatro anos e agora, e que, pelo que vimos na sexta-feira, é extensível a todos os outros professores.
Nos próximos dias daremos conta do que se passou, nas diversas festas. Globalmente, podemos dizer que tudo correu da melhor maneira. Numa altura em que a desesperança toma facilmente conta das pessoas, é bom ver como crianças, pais e encarregados de educação, familiares, professores, monitores, auxiliares e tantas outras pessoas, com uma enorme escassez de meios, mas sobejando em entusiasmo e boa vontade, conseguiram momentos inigualáveis, não apenas de afetos, mas de qualidade.
A organização das festas foi um momento de interação entre os pais; um fervilhar de ideias e mais ideias, distribuição de tarefas... amizade.
Os nossos filhos estão em boas mãos. Na escolas e em casa. Felizes são. Felizes sejam!
Fica aqui o texto do Paulo:
Segunda
Feira 14 de Setembro de 2009
- Espera, espera! - disse a mãe - Falta a
fotografia!!!
Arrastando a mochila atrás dela, a Joana
saiu para a rua. Toda ela brilhava, luzia a felicidade num sorriso.
O flash
disparou e nesse instante a imagem voou para a Terra-do-Nunca, com a mesma
magia com que voou para a memória dos pais… onde muda, mas nunca cresce… para
sempre!
Aí vem ela, já lhe vejo a cabeça!
Foge-nos do colo, dá o primeiro hesitante
passo, grita Mamã e volteia no baloiço atrás das nuvens, enquanto ensaia o
primeiro mergulho e lhe cai o primeiro dente.
Ficamos parados, desamparados com o correr
do tempo que não vimos chegar. A nossa filha vai para a escola…
E agora?
Não sei se foi a firmeza na voz, o sorriso
aberto ou a franqueza do olhar.
Não sei como fez, mas expulsou a angústia
da sala, trocou receio por sossego, dúvidas por certezas e medos por afetos.
Temos que os deixar na escola…mas agora
partimos tranquilos.
A jovem… chama-se Vera, e já faz parte da família.
Durante quatro anos plantou crianças.
Adubou-as com conhecimento, regou-as com disciplina e transplantou-as,
unindo-as em amizade e gosto pela aprendizagem.
Num mundo em transformação, onde o que é
verdade de manhã se desvanece à tarde, foi com serenidade que levou as crianças
a ultrapassar o abominável acordo ortográfico, a enfrentar surpreendentes
provas de aferição e a completar, com tranquilidade, os novos exames nacionais.
No final todas cresceram e floriram em sabedoria.
A jovem Vera soube construir com segurança
os alicerces que a tornaram, para as crianças, um exemplo inesquecível de
dedicação e amizade.
Obrigado por nos ter ensinado também a nós.
Aprendemos a confiar, aprendemos a lavrar o chão onde ainda há muito para
crescer. Aprendemos a agradecer o que se colheu, assim…
Obrigado.
Professora!
Os pais e alunos do 4ºC











