Os pais estão a tentar que o incidente seja eliminado dos registos escolares. O rapaz foi suspenso por um dia - de uma escola pública de Silver Spring, condado de Montgomery, estado norte-americano de Maryland - por ter apontado um dedo a um colego e feito "pum".
Os responsáveis da escola qualificaram o ato como uma ameaça "de alvejar um estudante," na carta em que comunicaram a medida disciplinar. O caso ocorreu uma semana depois do massacre que causou a morte de 20 crianças e seis funcionários de uma escola de Newtown.
É espantoso que, no país onde mais armas se vendem e a sua venda é mais liberalizada, onde a violência gratuita e injustificada mais aparece na televisão, vídeos e consolas, se queira "maputar os dedos" das crianças quando, natural e saudavelmente, brincam a fazer "pum" com o dedo.
Esta gente não saberá que o problema não está em usar o dedo ou um pau ou uma construção de lego para brincar aos "polícias e ladrões", mas em permitir a venda, por exemplo, de brinquedos que simulam, eles próprios, uma arma verdadeira? Ou banalizar a violência nos meios de comunicação?
Um dedo a disparar não mata. Uma arma, sim. E uma criança que disparou com o dedo mas nunca pegou numa arma ou num simulacro dela em forma de b rinquedo, que não vê o pai a guardar armas na casa, terá uma repulsa natural em usar, no futuro, uma arma.
O "higienismo", pelos vistos, atingiu parte do mundo escolar. O massacre de Newton (e os outros) têm origens completamente diversas.
Fica daqui a solidariedade com o rapazinho "franzino e tímido" (como descreveo o jornal) que estava só a brincar com o colega quando fez "pum" com o dedo, e que nem deve saber onde fica Newtown... mas que ficará marcado para a vida toda, psicologica e socialmente, por ter tido a ousadia de... brincar.












