Houve um tempo de escuridão, de obscurantismo, de censura de livros, de prisões avulsas por delitos de opinião, de partido único, de denúncia de amigos, de sub-desenvolvimento, de "orgulhosamente sós", de guerra e morte, de tortura e tribunais plenários, de cerceamento de liberdades, de manipulação de eleições, de perseguições por ideias e ideologias. Houve um tempo em que as escolas eram separadas por sexos, em que os professores tinham de jurar "não ser comunistas", em que gritar "viva a liberdde" ou criticar o governo dava prisão. Houve um tempo em que os jovens iam para a guerra, em África, matar por razões que desconheciam, morrer por valores que não defendiam. Houve um tempo em que o país era pobre, as crianças morriam e menos de 10% delas passavam além do actual 6º ano. Houve um tempo... Para quem estuda a História de Portugal, isto não se passou na Idade Média nem na Monarquia. Foi até há 37 anos, altura em que, no 25 de Abril, a Democracia foi devolvida ao povo português. Numa revolução sem sangue, generosa, em que as vítimas mortais, muito poucas, foram causadas pelos partidários do antigo regime.
Que os nossos filhos, que tão bem sabem as aventuras de Afonso Henriques ou Dom João I, saibam também isto. Podemos criticar o "26 de Abril" ou tudo o que se passou depois, especialmente em 1975 mas também nos 37 anos de democracia. Podemos ser pró ou contra cada um dos sucessivos governos eleitos democraticamente e derrubados também democraticamente, mas criticar o 25 de Abril é, implicitamente, defender um regime iníquo, ditatorial, obsoleto e obsceno.














