quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estudo do Sono

Enquanto os Pais não recebem o "resumo alargado" do trabalho original, aqui ficam algumas das principais conclusões:


O estudo foi considerado de uma grande importãncia, dado que o sono é uma função vital para o equilíbrio e bem-estar humanos, foi realizado este estudo - se o sono fosse uma actividade “pouco interessante” a Natureza não lhe teria consagrado tanto tempo na existência humana, e serve não apenas para descansar o corpo, como para gerir a informação e os estímulos recebidos durante o dia e da informação gerar conhecimento, para depurar o que não interessa à sabedoria e, também, para gerir sentimentos, frustrações, “fantasmas” antigos, em suma, é uma porta para o inconsciente, através dos sonhos.

É consensual que o número de horas recomendadas para as crianças entre os 6 e os 9 anos de idade é de cerca de 10 horas e, para as crianças dos os 10 aos 12 anos, cerca de 9 horas. Finalmente, sendo o sentimento de segurança um factor essencial para poder dormir com qualidade, e sendo a infância um lugar onde co-habitam medos e terrores, a securização surge como um factor sine qua non para garantir um sono reparador e tranquilo.

Entraram neste estudo 549 alunos (266 raparigas e 283 rapazes) com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos. Destes, 257 pertenciam ao 1º ciclo e 292 ao 2º ciclo. Estes alunos representam mais de 95% do total de alunos destes ciclos (foi excluído o 1º ano).

Percepção do sono

Sobre a questão “Para que serve dormir”, a maioria das crianças foi da opinião que dormir servia para: “para descansar” (93%), era “benéfico para a saúde” (83%) e “contribui para o crescimento” (64%). Apenas 5% afirmaram que dormir era “perda de tempo”.

Sobre a sua necessidade de dormir, 30% dos alunos do 1º ciclo e 43% dos do 2º ciclo consideraram que dormem menos do que o necessário durante a semana. Por outro lado, apenas 27% do 1º ciclo e 22% do 2º ciclo referiram dormir menos do que o necessário durante o fim-de-semana. Existe uma associação estatisticamente significativa entre dormir sempre bem e pertencer ao 1º ciclo. Corroborando este facto, verificámos ainda uma relação significativa entre o facto de "às vezes dormir mal" e pertencer ao 2º ciclo.


Horários de sono

Durante os dias de aulas, 30% de todos os inquiridos dormem menos do que as necessidades reconhecidas como ideais, enquanto que, aos fins-de-semana, 26% dormem menos do que essas necessidades. Relativamente à hora de acordar durante a semana, verificámos que 86% das crianças se levantam entre as 7 e as 8 horas da manhã. Durante o fim-de-semana, 64% das crianças referem acordar depois das 9 horas e 43% depois das 10h.  Não foram encontradas diferenças entre géneros naqueles que dormem menos do que o recomendado, quer no 1º ciclo quer no 2º ciclo.

Constatámos que a maior parte das crianças responderam necessitar de pelo menos uma condição de securização para adormecer (80%), sendo as mais prevalentes: dormir com a porta aberta (66%), ter uma luz acesa no quarto ou no corredor (44%) e dormir com um peluche, boneco ou fraldinha (30%). Estas constatações suportam a necessidade de securização inerente às crianças, que é evidenciada na hora de deitar. E que dormir com um urso de peluche ou agarrado a uma fraldinha é normal, nestes grupos etários.

O presente estudo permite afirmar que as perturbações de sono são frequentes nas crianças dos 6 aos 12 anos inquiridase que se podem implementar medidas que visem melhorar o seu sono. Cerca de quatro em cada dez das crianças inquiridas no nosso estudo apresentaram problemas relacionados com o sono. Como em outros estudos, a existência de pesadelos e a insónia inicial (adormecer passado muito tempo) foram as queixas mais frequentes. Este facto é relevante, na medida em que a literatura internacional tem alertado frequentemente para as implicações dos problemas de sono no bem-estar das crianças.


Obtivemos um resultado de 39%, do total de crianças inquiridas, com má qualidade do sono. No entanto, quando questionados acerca da sua opinião quanto à qualidade do seu próprio sono, apenas 6% das crianças consideraram dormir quase sempre ou sempre mal. E, deste grupo de crianças, efectivamente, a grande maioria (90%) revelou parâmetros de má qualidade de sono. Daí podemos concluir que uma queixa de problemas de sono numa criança deve ser valorizada.

Encontrámos 29% das crianças no total a dormir menos horas do que o recomendado para a sua idade, sendo que esta proporção é maior nas crianças do 1º ciclo, comparativamente com o 2º (31% vs 24%). A média de horas de sono das crianças inquiridas no nosso estudo foi de 9,6 horas e a média da hora de deitar durante a semana para as crianças do 1º ciclo foi às 21h30 e do segundo ciclo às 22h30.

Em relação às atitudes que as crianças têm quando acordam durante a noite, verificámos uma diferença na proporção entre as crianças que chamam alguém ou vão dormir com alguém quando acordam com pesadelos (42%) comparativamente às que despertam sem motivo. Estes dados podem demonstrar a importância que a existência de pesadelos pode ter como elemento perturbador do sono.

Relativamente às perturbações do sono pesquisadas nas crianças inquiridas, obtivemos como mais prevalente a existência de pesadelos uma ou mais vezes por semana (36%), seguido da existência de insónia inicial (23%). Estes dados suportam, mais uma vez, que os problemas de sono, pela sua prevalência e relevância para a saúde da criança, não devem ser menosprezados. Por outro lado, encontrámos crianças que demoram muito tempo a adormecer após despertar (16%) e o despertar mais que duas vezes durante a noite (11%). Não encontrámos associação significativa com as variáveis género e frequência do 1º ou 2º ciclo.

Obtivemos um total de cerca de metade das crianças inquiridas a acordar com muito sono ou cansadas (47%). A maioria das crianças que acordaram cansadas ou com muito sono no dia do inquérito, mostraram ter pelo menos um dos seguintes problemas: insónia inicial, acordar muitas vezes durante a noite ou demorar muito a adormecer após um despertar nocturno, na noite anterior ao questionário. Por outro lado, não se encontrou relação entre o número de pesadelos durante a semana e o modo como as crianças inquiridas acordaram no dia do inquérito, o que se pode justificar pelo facto de a forma como acordaram nesse dia não reflectir algo que foi questionado numa frequência semanal.

Constatámos ainda que 25% das crianças afirmaram ter frequentemente falta de concentração nas aulas devido a estarem sonolentos, sendo que 13% do total dos alunos inquiridos confirma já ter adormecido nas aulas. Estes reflectem a elevada prevalência da sonolência diurna, que pode inclusive afectar a concentração nas aulas e salientam ainda a necessidade de intervir na instituição de medidas de higiene do sono que visem melhorar a qualidade do sono e na sensibilização para dormir o número de horas de sono recomendadas pelos especialistas.


Os autores querem agradecer a excelente colaboração do Agrupamento de Dona Filipa de Lencastre, e das suas diversas estruturas directivas e responsáveis pelo 1º e 2º ciclos, à Associação de Pais e aos professores titulares e de Formação Cívica do 2º Ciclo, bem como a todas as crianças e aos pais. Sem esta incomparável sinergia, teria sido impossível realizar este estudo e ficar a saber mais sobre o sono das crianças em Portugal.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memórias do Xadrez


Para os apreciadores de Xadrez, este é um sítio a visitar e mostrar aos nossos filhos, tão entusiasmados que eles andam com esta arte. Mais interessante do que estar em frente da televisão.

Aqui fica o link:  http://xadrezmemoria.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

estudo do sono - já está pronto!

Os resultados do estudo do Sono já estão tratados e serão enviados aos pais ainda esta semana, por mail.

Aqui, no Blogue, colocaremos os que considerarmos mais importantes. O trabalho recebeu a nota de 19 valores na avaliação do júri de Mestrado Integrado de Medicina na área da Saúde Pública. Obrigado aos pais, docentes e, claro, ás crianças.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

as visitas à Editora continuam.

Na semana passada, a Edicare abriu as portas da Editora aos meninos do 3ºC, e ontem ao 3º A.



Segundo palavras da editora, Sara Nabais, "foi uma manhã muito bem passada na companhia destes meninos; foi um enorme prazer estar com eles, conversar com eles sobre livros e perceber que sabem já tantas coisas acerca deste mundo editorial! Desde a história do livro até às profissões do meio, foi com grande entusiasmo que todos eles ouviram e participaram activamente nesta conversa".
No final ainda visitaram o armazém, participaram na elaboração de uma encomenda real para a livraria e fizeram em conjunto dois exercícios de escrita criativa. Foi muito divertido. Seguir-se-ão o 3ºB e o 3ºD.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Torneio de xadrez - de vento em pôpa!

Os cavalos já começaram a saltar com grande entusiasmo e muita alegria, na 1ª fase do Torneio de Xadrez Inverno 2011, que apura os 5 melhores jogadores de cada turma, para a Grande Final (inter-turmas), que decorrerá, no dia 12 Dezembro 2011. Participam nesta prova os seguintes clubes:
  • Come Peças (3º B – Professora Teresa)
  • Fénix (3º C – Professora Vera)
  • Misteriosos (4º C – Professora Joana)
  • Pequenos Lusitanos (2º C – Professora Manuela)
  • Lendários (3º A – Professor João)


A vontade de ganhar tem sido a tónica, pelo que os nossos jovens Atletas têm-se esforçado no tabuleiro com prestações, fortemente, competitivas. Parabéns!

A cerimónia da entrega de prémios, para a qual se convidam os Pais, terá lugar, no dia 16 Dezembro 2011. Não faltem!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Hoje: Assembleia Geral da APEE


O cenário não será este, mas o interesse, para a nossa Escola, será maior. Hoje, pelas 17h30, ocorre a Assembleia Geral da Associação, na sala do piso 1 do edifício da Escola. Quem tiver crianças pode deixá-las no ATL, mesmo não estando inscritas.

Pede-se a todos os sócios que façam o sacrifício (e a obrigação moral) de vir e participar, para que a nossa Escola possa ser cada vez melhor.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

26 anos depois...

Calvin e Hobbes, uma das melhores bandas desenhadas de sempre, foi criada, escrita e ilustrada por Bill Watterson, precisamente num dia 18 de Novembro, há 26 anos. Durou dez anos, e o seu autor nunca permitiu que as imagens fossem usadas para fins comerciais, embora se possam ver muitas T-shirts e outros objectos de consumo com as inconfundíveis figuras.

O nome de Calvin foi inspirado em Calvino, reformador do século XVI, que defendia que o Homem tem uma tendência natural para fazer mal aos outros. Hobbes recebeu o nome de Thomas Hobbes, o filósofo inglês do século XVII, autor da frase "Homini lupus homini" ("o homem é o lobo do homem").

Calvin tem 6 anos, odeia a escola, fantasia e sonha, protesta e exige, mas acaba por ter de aceitar algumas coisas, revelando inocência e ausência de malícia. Provoca, experimenta o risco até ao limite, adora televisão e tem os medos normais de um miúdo desta idade. A sua visão do mundo dos adultos é um tratado de psicologia infantil.

Hobbes, por seu lado, é um tigre sábio e sardónico, que consegue saltar de peluche para animal real, desafiador, conhecedor dos comportamentos, reflexivo. Quase como um alter ego de Calvin, mas que não o é porque não resiste, bastas vezes, a alinhar com o seu amigo humano.

As fantasias e divagações de Calvin são a maneira como as crianças desta idade enfrentam os desafios do crescimento e o conhecimento do mundo e da realidade externa. É quase quase impossível entender o mundo das crianças em idade escolar sem a leitura aprofundada de Calvin& Hobbes.  Fica aqui a recomendação, para melhor entendermos as suas fragilidades, medos, sinais, raciocínios e argumentos. E podermos amá-los ainda mais

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dia Mundial do Não-Fumador

Não são, hoje, os que fumam que estão "em alta" - são os que não fumam, essa enorme maioria que nunca é mencionada nas notícias - nas "caixas altas" afirma-se sempre que "30% dos portugueses fumam", e nunca que "70% não fumam".

Não devemos ser fundamentalistas anti-vícios, desde que estes não façam mal a terceiros. Contudo, no caso do tabaco, isso acontece, pelo que, passados quase dois anos devemos rejubilar com a boa aplicação da Lei do Tabaco.

Hoje o Dia é dos não-fumadores - porque, por vezes, quase parecem culpados por não fumar e por "escravizar" os fumadores, remetendo-os para "guetos" e sei lá mais o quê.

Se fumar retira minutos de vida ou se os devolve quando um cigarro é fumado com prazer, não sabemos. Mas que os terceiros, designadamente as crianças, podem não ter escolha quando os pais fumam em casa ou no carro, é verdade. O fumo passivo é uma realidade, seja para provocar doenças, seja para aumentar a probabilidade de fumar (dez vezes!) no caso de alguém em casa fumar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

dez minutos...


Já aconteceu, certamente, chegarem a casa e sentirem que o ambiente é tal que dá vontade de fugir a sete pés e voltar para o emprego... pois é. Tem a ver com a visita da Dona Birra.

Mas muitas dessas birras poderiam ser evitadas se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos. Dez minutos, apenas.

Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta, os sacos do supermercado e o (malfadado) telemóvel, não ir a correr ligar o computador ou cozinhar, e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.

Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.
Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.

Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais, designadamente os progenitores masculinos têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

maus comportamentos...

Segundo o Jornal "Público", o governo promete "tudo fazer" pela autoridade dos professores na sala de aula. E faz bem, já que os professores, como com graça circula num mail sobre uma parábola de Jesus Cristo adaptada aos dias de hoje, têm um dia-a-dia já suficientemente cansativo para terem ainda de aturar mal-criações, perturbação e barulho (para lá do que é normal e natural) e servirem de amas-secas, baby-sitters, psicólogos de ocasião ou pais susbtitutivos de crianças que, em casa, são mal-educadas, mal amadas e negligenciadas nos afectos.

Há "n" razões para comportamentos desadequados, começando pela imaturidade e pelo "terrível" facto de se ser rapaz ("factor de risco" para estas coisas), como o cansaço das crianças que se levantam cedo e têm um dia cansativo, deitando-se muitas vezes tarde, até situações de verdadeira hiperactividade ou deficite de atenção.

Contudo, em muitos casos o que existe é, pura e simplesmente, malcriação e crianças a crescer numa atitude de prepotência, jactância e "posso-quero-e mando" que há que limitar, a bem de todos (a começar por elas).

Os pais destas crianças - que geralmente não aparecem nas reuniões da Escola e que são muitas vezes os primeiros a criticar "o sistema" -, devem também ser chamados à pedra. A Educação não cabe apenas à Escola e aos professores, mas começa em casa, com regras, limites e umas "noções elementares" da democracia. Apenas isso.