
O comentário é francês, e é da autoria de Diane Galbaud. Chama-se "Les rythmes scolaires", e aborda o tempo de permanência na escola que os alunos do 1º ciclo têm, em cada semana.
No ano passado fizemos uma Tertúlia em que este assunto foi abordado, e as opiniões dividiam-se. Mas a pergunta, pelos vistos, passa também pela cabeça dos pais e professores portugueses.
Um aluno do 3º ano é referido nesse artigo como tendo desabafado, de forma paradigmática: "Não aguento mais este ritmo. Estou estoirado. Chego a casa e só me dá vontade de me esconder, de dormir. Aidna tenho trabalhos de casa mas não aguento. Hoje tive matemática, francês, inglês e mais uma data de coisas. Não consigo concentrar-me e não sei o que fazer". Como esta, foram recebidas pela autora mais 15.000 mensagens!
Já em 1962, Michel Debré, ministro de De Gaulle e filho de um dos mais prestigiados pediatras franceses de sempre, Robert Debré (fundador da UNICEF), denunciava, num Relatório ao Parlamento Francês, o cansaço dos alunos do primeiro ciclo. Nos anos 80. o desenvolvimento de ciências como a cronobiologia e a cronopsicologia vieram trazer mais luz ao debate. E mais certezas que, contudo, conduziram a mais ambivalências e a uma maior confusão, aumentada pela desorganização da vida social e da vida familiar.
Curiosamente, é referido neste estudo que a jornada dos alunos franceses é das mais compridas da Europa (8h30 às 16h30), o que um Relatório da OCDE de 2009 considera "uma enormidade". A nossa consegue ser maior.
Como relata uma mãe, referida pela autora, "a minha filha levanta-se às 6h30 e chega a casa às 19h00, com trabalhos para fazer, banho para tomar e ainda tem de jantar. Se não se deitar às 20h00 não aguenta. O que é que ela há-de fazer? E o que é que eu faço?".
E, atenção: mesmo que as aulas sejam excelentes, os recreios animados e as AECs e ATLs divertidos e didácticos, convém não esquecer as referidas cronobiologia e cronopsicologia... e depois "o corpo é que paga", como escreveu António Variações.








