As imagens que chegam do Haiti devem ser aproveitadas para, de uma forma positiva e pedagógica, os pais explicarem aos filhos o que são catástrofes naturais e como está nas suas mãos ajudar as crianças vítimas do terramoto.
Perplexidade e medo são os sentimentos mais prováveis nas crianças quando assistem às imagens do terramoto no Haiti, as quais podem levar as crianças a questionar como é que uma coisa destas pode acontecer a meninos tão pequenos como elas.
Crianças são crianças, e as crianças portuguesas pensam, seguramente, que no Haiti os meninos viviam bem, iam à escola, tinham frigoríficos, microondas, televisão e consolas, ao contrário do que mostram agora as imagens. Esta é, pois, uma boa oportunidade de ensinar aos mais novos as diferenças das sociedades e o sentido de palavras como a fome e a injustiça.
Todavia, as explicações dos pais não devem resultar em sentimento de culpa dos filhos, designadamente por não estarem a sofrer uma desgraça semelhante. A mensagem deve ser: "ninguém no mundo merece isto", mas esta também pode ser "uma janela" que se abre no sentido de cultivar a generosidade no coração dos mais pequenos. É conveniente explicar que, apesar de ter morrido muita gente, o Haiti há-de levantar-se graças à generosidade dos outros, e as crianças podemcontribuir, por exemplo, com parte da mesada. Ontem mesmo, os meus filhos abdicaram da semanada dominical, e vieram trazer mais algum dinheiro para colocar na conta de auxílio às vítimas.
No fundo, a "perda da inocência" que representa uma catástrofe como esta pode custar menos, pois os crianças portuguesas poderão olhar para as haitianos, lamentar o seu sofrimento, mas saber que as ajudaram.
Mário Cordeiro










