
Os
rankings escolares não querem dizer nada de nada. Limitam-se a ver quais as escolas onde mais alunos entraram na Universidade (ou, numa versão mais "pós-modernista", os "exames" do 4º ano). Mesmo que este critério valesse alguma coisa, seria logo errado porque podiam os alunos de uma determinada escola, por exemplo, ter entrado em faculdades onde se entra com médias baixas, e outra ter tido menos alunos na faculdade mas onde os alunos desejavam cursos que obrigam a notas elevadas.
Mas muito pior do que este erro, é o facto de se considerar, à partida, que o objectivo do Sistema Educativo e do ensino/aprendizagem é “entrar na faculdade”. É muito pobre. Porque se é só isso, então não precisa de haver escolas – cada um estudará em casa, isoladamente, ao seu ritmo. Para que, então um ensino obrigatório?
Por outro lado, compara-se o incomparável: é o mesmo que dizer que Lisboa é melhor do que São Mamede da Infesta porque tem mais gente. Não tem pés nem cabeça. As escolas não são melhores por terem alunos com melhores médias (até porque são juízes em causa própria, dado que forjam parte dessas médias através do método de classificação dos 10º, 11º e 12º anos).
São melhores as que permitem um ensino variado e inclusivo, onde os alunos progridem, se motivam e gostam de estar. E a realidade social do país é muito desequilibrada, plena de assimetrias e de desigualdades, nomeadamente quanto ao apoio que os alunos têm em casa, em livros e outros meios, em explicadores, acesso à internet, materiais, etc.
Finalmente, os
rankings são muitas vezes uma “publicidade enganosa” para algumas escolas privadas manterem elevados níveis de propinas, ou para começarem (continuarem) a formar futuros dirigentes, administradores e decisores que pertencerão a determinados
lobbies e classes de poder.
Mário Cordeiro