Ao contrário das artes plásticas, a música não deixa uma marca numa pedra, numa tela ou no barro. Esta "volatilidade" da Arte perfeita, é uma das suas características mas, talvez por isso, a associamos sempre a pessoas, a instrumentos, a partituras, palcos e concertos, ou seja, a objectos e a humanos.
A emoção estética que a música provoca (ou não), depende assim dos intermediários - a pensar, neste momento, em programas televisivos que fazem as delícias dos nossos filhos, como "Os Ídolos" ou "A tua cara não me é estranha", vemos como o criador (compositor) precisa, sem hipóteses de fugir a isso, de um objecto (instrumento) e de uma pessoa (o intérprete) para dar corpo à obra.
Sendo a música, repetimos, a Arte perfeita, é bom pensar em mostrar música e espectáculos, de todos os tipos, dar a conhecer os instrumentos, levar as crianças a concertos (mesmo que adormeçam a meio) e mostrar a possibilidade de diferentes versões da mesma partitura ou canção. O mesmo se passa com a dança.
Gestos, corpos, vestuários, espaços e gestão de espaços, línguas e linguagens, tanta coisa. A música é a vida - e quem passa ao lado dela falhará, decerto, uma vida mais realizada e mais feliz.
PS: e por isso temos de chamar a atenção aos nossos filhos para a importância das aulas de música e para o que lá se ensina, exigindo respeito pela Arte e vontade de aprender a senti-la. O facto de ser um espaço lúdico não pode ser um espaço para malcriação, balda ou menorização dos conteúdos.


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