Portugal, com os seus 1230 km de costa no Continente (mais os 917 km nas Regiões Autónomas), tem uma enorme diversidade de faróis.
Os faróis são sempre entidades misteriosas - não apenas pelas histórias de contabandistas -, mas pelas vivências que inspiram, pelo seu papel de orientação de navios e gentes solitárias, sem os quais ficariam perdidos, e pela solidão, também, que acompanha, de algum modo, a vida do faroleiro.
Actualmente as coisas são diferentes, com os métodos electrónicos de navegação e de iluminação, mas os faróis continuam a ser um lugar único. Há, aliás, vários livros sobre o tema (incluindo um publicado pelos CTT). As crianças gostam de faróis - e vale a pena, seja ao pé de Lisboa, seja em locais de férias, visitá-los quando possível. Até pela internet, se não puder ser presencialmente. Os faróis são, simbolicamente, a certeza de que não estamos, nem sós, nem perdidos.
Vem isto a propósito dos 100 anos do Farol do Penedo da Saudade, situado 800 metros a Norte de S. Pedro de Moel, que entrou em funcionamento a 15 de fevereiro de 1912.
Tem uma torre com 32 metros de altura e fica situado a uma altitude de 55 metros. De março de 1916 a dezembro de 1919, o farol esteve apagado devido à I Grande Guerra.
Inicialmente foi instalado um aparelho ótico de 3ª ordem, grande modelo (500mm de distância focal), com a rotação da ótica produzida por uma máquina de relojoaria. A fonte luminosa utilizada era a incandescência pelo vapor de petróleo.
A ótica primitiva não se manteria no farol por muito tempo, visto que foi deslocada para o novo farol do Cabo Mondego. De 3 de março a 27 de julho de 1921, o farol esteve novamente apagado para substituição da referida ótica. O aparelho lenticular então instalado foi também de 3ª ordem, grande modelo, dando grupos de dois relâmpagos.
O farol foi dotado de energia elétrica com a instalação de grupos eletrogéneos em 1947, só vindo a ser ligado à rede de distribuição pública de energia em 1980, ano em que foi iniciada também a sua automatização. A potência da lâmpada utilizada no farol, que em 1947 era de 6000 watts, foi sendo progressivamente reduzida para os atuais 1000 watts.
Pais: aproveitem as oportunidades e visitem os muitos faróis que existem na nossa costa.


Sem comentários:
Enviar um comentário