Qual a diferença entre viver e sobreviver? Mesmo que não se consiga uma definição precisa, do ponto de vista linguístico, todos nós, como pais, sabemos de momentos em que nos sentimos mais a sobreviver do que a viver, fosse ao acordarmos a meio da noite para acorrer a um sonho mau dos nossos filhos ou para lhes dar leite, seja quando chegamos cansados e a apetecer-nos estar sós, connosco próprios, e temos de corrigir TPCs, orientar banhos, responder às milhentas perguntas que as crianças têm, ouvi-las, escutá-las ou meramente preparar o jantar.
O psicanalista Robert Neuburger diz o que pensa: vive-se e até se pode sobreviver, mas não se existe, quando não se encontra alegria no que se faz, quando não se têm sonhos, quando não há tempo para nós próprios. Mas também não se existe quando somos transparentes para os outros, quando ninguém quer saber de nós, quando não temos laços de pertença a amigos, família ou algo de humano. Por outro lado, é importante também termos auto-estima sem sermos narcísicos, e estabelecermos boas relações interpessoais e de grupo: quando esses laços se quebram sentimos a dor, a perda, o luto. E podemos entrar em tristeza e em depressão.
Para Neuburger, esta tristeza ou mesmo depressão é um "déficite de existência" e a resposta a ela deverá ser "encher a existência" novamente, fazendo ver como as pessoas são importantes, para si próprias e para os outros, mostrar as partes boas da vida, ensinar a relativizar os fracassos e, sobretudo, a identificar os problemas mas a concentrar a energia na sua solução - assim, a pessoa reãdquirirá uma das coisas mais importantes da vida: a dignidade. E voltará a existir.
Os nossos filhos, mesmo sendo pequenos, têm momentos em que se sentem mal, em baixo, tristes, confundidos. Pensemos no que está acima escrito e no que poderemos fazer por eles.

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