Convalescença. Lembram-se? O Dicionário de Sinónimos diz que esta palavra significa “arribação, melhoras, re-estabelecimento”. Infelizmente, desapareceu do léxico português e da prática do dia-a-dia.
Vem isto a propósito dos episódios de infecções respiratórias e síndromas gripais que têm afectado tantas crianças. Não sendo doenças graves em crianças saudáveis, podem “deitar abaixo” as crianças, que se sentem anormalmente cansadas, têm tosse seca e metálica, dores de cabeça e de barriga, dores nos músculos das pernas. Falta de forças. Cansaço. E uns dias de febre.
Mas mal esta desaparece, os pais, pressionados pelos empregos e empregadores, pelo “dia-a-dia” e mais umas quantas coisas, levam novamente as crianças à escola, para muitas delas voltarem à cama, doentes, às vezes com situações mais graves, como infecções bacterianas respiratórias.
A cura clínica (ausência de sintomas e de sinais) tem um determinado timing. Mas a cura dos tecidos e células, e a cura funcional dos órgãos, demora muito mais tempo, e requer o mínimo de factores agressores (ambiente urbano, ambiente da escola, tabaco, poluição, acordar cedo, frio, correrias) e um máximo de factores protectores (bom ar, dormir até tarde, descansar, boa comida).As crianças portuguesas já não convalescem. Por várias razões plausíveis (na perspectiva dos interesses dos pais) mas perante a passividade de quase todos. Se não convalescem, e lá voltamos ao Dicionário -, também não arribam, não melhoram e não se re-estabelecem. Fica aqui o apelo!

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