Chamou-se Noite Sangrenta e correspondeu a uma revolta radical de marinheiros e arsenalistas, em Lisboa a 19 de Outubro de 1921, no decurso da qual foram assassinados, entre outros, António Granko, primeiro-ministro de então, Machado dos Santos, o herói do 5 de Outubro, Carlos da Maia, e ainda os militares comandante Freitas da Silva, secretário do Ministro da Marinha, e coronel Botelho de Vasconcelos. Chefiada pelo sinistro "Dente de Ouro", o marinheiro Abel Olímpio, a chamada "camioneta fantasma" andou de casa em casa, procurando os adversários políticos e assassinando-os barbaramente. Foi um acto repugnante e bárbaro, que envergonhou de forma indelével a democracia portuguesa.
No enterro de António Granjo, o ex-ministro Cunha Leal proclamou essa verdade: "O sangue correu pela inconsciência da turba? A fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos a culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama". No mesmo acto, afirmaria o grande escritor, político e pensador Jaime Cortesão: "Sim, diga-se a verdade toda. Os crimes, que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa".
Numa altura em que os ventos que sopram não são bons, há que redobrar os apelos e desenvolver as medidas concretas para a busca de soluções não-violentas e democráticas, dentro de um Estado de Direito que ainda somos, mesmo que a revolta e o desespero possam tomar conta de muitos cidadãos.

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