sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trabalhos para casa - 1


É um tema polémico, mas sabe bem, de vez em quando, trazer temas sobre os quais não há consensos estabelecidos. Reflectindo sobre as coisas melhorar-se-á o sistema, disso estamos seguros. Pois então aqui vai, mesmo que o conteúdo possa ser considerado "violento".

Os Trabalhos Para Casa (TPC) geram uma enorme controvérsia. As queixas de pais sobre a sobrecarga de exercícios que os filhos trazem para fazer em casa não são novas, mas voltam a estar na ordem do dia. Os estudantes portugueses trabalham horas demais, e que nenhum sindicato deixaria passar tamanho atropelo aos direitos das crianças e jovens sem, pelo menos, um caderno reivindicativo e uma greve geral - "com as aulas, as actividades complementares e os trabalhos de casa, chegam a dedicar 40 a 50 horas por semana ao estudo.

No limite, tal como são entendidos por muitos professores e pais, os TPC são uma agressão aos adolescentes e aos seus direitos. Tudo o que se sabe sobre desenvolvimento infantil e sobre técnicas pedagógicas no ensino-aprendizagem mostra que esta prática não tem, em pleno século XXI, razão para existir nos moldes em que é feita.

São vários os motivos que tornam os TPC, repito, da maneira tradicional como são exigidos, quase uma aberração:

• as crianças adolescentes trabalham muito durante o dia, seja a estudar, seja a brincar, correr, conversar e debater ideias;

• ao fim da tarde, estão carregados de endorfinas e cansados, sobretudo se tiveram outras actividades entre a escola e a casa, como desporto;

• precisam de tempo para gozar o seu espaço regressivo caseiro;

• o que aprenderam no próprio dia ou até nos dias anteriores só será metabolizado nessa noite, pelo que tudo o que seja exigir trabalho sobre assuntos ainda não burilados pelo cérebro é quase sádico;

• o tempo para estar em família diminui;

• a tolerância dos pais é pouca, ao fim da tarde, e o nível de irritabilidade doméstica sobe, quando deveria descer;

• são os pais que acabam por terminar os TPC, gritando com o filho e achincalhando-o;

• os professores não lêem os TPC, todos os dias;

• não há tempo para ler, reflectir, "não fazer nada", brincar;

• a imagem dos professores fica, muitas vezes, associada a uma imagem de quase sadismo, de desrespeito e de não desejarem o melhor para os alunos.

(este é o aperitivo para o fim-de-semana - na segunda-feira continuaremos. Vão pensando no que está acima e formando as vossa opiniões).

1 comentário:

Anónimo disse...

Por outro lado queremos formar jovens para um futuro que se prevê de trabalho intensivo. Não queremos formar jovens preguiçosos sem capacidade de se seentarem sozinhos numa secretaria e produzirem algo. No 2º ciclo e no secndario é essencial eles terem essas capacidades a fncionarem em pleno. É como tdo na vida. Ha qe procurar um equilibrio. TPC sim, mas com peso e medida!