quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A propósito de uma tragédia


As notícias sobre o homicídio do colunista social Carlos Castro podem despertar a curiosidade das crianças e desencadear perguntas a que os pais devem responder, sempre numa perspectiva de tranquilização.

“Quem é que matou quem?” ou “Qual deles é o mau?” são algumas das questões com que os pais se podem ver confrontados por estes dias se os filhos assistirem aos noticiários. Não podendo colocar as crianças numa redoma, elas ouvirão as notícias e integrarão a informação no conceito de que ‘existem pessoas más’ ou ‘existem comportamentos maus’. No fundo, o balizar do sentido ético que vem das histórias infantis.

As crianças devem ser acompanhadas quando assistem a notícias sobre crimes, sobretudo com a preocupação de evitar que tenham acesso a pormenores sórdidos, que devem desde logo ser evitados pelos órgãos de comunicação social. Independentemente da escolha feita pelos media, aos pais cabe “mostrarem-se disponíveis para entender inquietações ou responder a dívidas”, sempre com uma perspectiva de tranquilização.

A curiosidade seria maior se o caso envolvesse alguma criança ou alguma personagem do universo do conhecimento dos mais novos. Ainda assim, os pais devem estar de ‘orelhas abertas’ para eventuais perplexidades das crianças.

Errado é abordar a questão da homossexualidade a partir do homicídio de Carlos Castro: um crime passional é um crime passional. Homo ou hetero é indiferente, Abordar a orientação sexual a partir de um crime é rotular de ‘horrenda’ essa orientação sexual.
A homossexualidade, apesar de ser uma situação genética,  manifesta-se geralmente na adolescência quando surge a componente “orientação do desejo” dentro do percurso normal da sexualidade. No entanto, as crianças ouvem falar diariamente da homossexualidade e até conhecerão cada vez mais casos na vida privada. É altura de dar a entender às crianças que uma coisa é o amor, outra as pessoas decidirem viver juntas, outra a orientação do desejo sexual e outra a deturpação e o perverso - que nada têm a ver com as restantes.

E convém também, se pensarmos nos contornos psicópatológicos deste caso, permitir aos nossos filhos que soltem os sentimentos, sem se sentirem em coletes de força (para evitar explosões de raiva repentinas e muito violentas) e estarmos atentos quando eles se "fecham" por demasiado tempo, ensimesmados e pouco interactivos.


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